segunda-feira, 25 de julho de 2011

A DROGA DA MÍDIA

Com honrosas exceções, como a matéria de Eduardo Duarte Zanelato publicada pela revista Época, caderno São Paulo, no dia 27 de março passado e intitulada "Elas tiram as pedras do caminho, a rotina das agentes de saúde que trabalham na cracolândia para convencer os usuários de drogas a se tratarem da dependência", a mídia tem se dedicado a publicar matérias e programas televisivos sensacionalistas e irresponsáveis a respeito do crack.




Muitas equipes de reportagem acompanharam o trabalho de agentes de saúde, enfermeiros e médicos que conseguem romper o cerco que existe entre esses intocáveis e o resto da sociedade. Foram testemunhas da persistência desses trabalhadores do SUS, do conhecimento de histórias de pessoas com vidas difíceis, quando não escabrosas, que são cuidados, que pedem ajuda. Mas não deram uma linha a respeito.



Esses repórteres conheceram homens, mulheres, jovens e crianças que deram um curso inesperado a suas vidas, e estão sendo atendidos pelas equipes de saúde da família ou pelos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS Álcool e Drogas e Infantil da Sé, mas preferem divulgar a ideia de que, se você fumar uma pedra de crack, nunca mais se livrará dela, que a pedra custa cinco reais e que por dois reais você pode adquirir outra destilada com querosene ou gasolina chamada oxi. E dá o endereço: Rua Dino Bueno com Helvetia ou seu entorno chamado "cracolândia paulistana".



Depois da carga midiática, a população flutuante que frequenta a região dos Campos Elíseos e adjacências aumentou significativamente. Se durante a semana há centenas de pessoas nas ruas usando crack, durante o fim de semana são milhares. É só conferir.



Em 1979, Gilles Deleuze produziu um texto luminoso que começa afirmando: "Está claro que não se sabe o que fazer com a droga (mesmo com os drogados), porém não se sabe melhor como falar dela" (Duas Questões, in SaúdeLoucura 3, Hucitec, São Paulo, 1991). Hoje, em 2011, também não sabemos o que fazer com a droga, temos muitas dificuldades para cuidar dos drogados e não sabemos, ou sabemos muito mal falar dela.



Quando alguém se candidata a tratar, cuidar ou, ilusoriamente, salvar essas pessoas, passa a fazer parte de um conjunto-droga: produção, distribuição, consumo, repressão, tratamento... Ser cuidador dessas pessoas requer adentrar em um território complexo, controverso e fascinante.



De que serve o consultório se eles não vão às consultas? Ou as unidades de saúde que abrem às 7 horas da manhã, se a vida nas bocadas invade a madrugada?



Em São Paulo, os profissionais do Sistema Único de Saúde conseguem se vincular com essas pessoas, baseados na práxis do cuidado, na posição ética de defensores da vida e de promotores de cidadania. Mas esses profissionais enfrentam inúmeros obstáculos.



Quanto custa conhecer a biografia de um "noia"? Conseguir que a pessoa tire seus documentos e adira ao tratamento de sua tuberculose, sífilis ou AIDS? Ainda mais quando chegam os guardas municipais, com seus famosos rapas e deixam essas pessoas sem documento e sem remédios. O afeto dos agentes de saúde colide com o gás de pimenta da GCM Guarda Civil Metropolitana, a truculência da Polícia Militar, a falta de vagas em abrigos, a ausência de locais atrativos para homens e mulheres como um dia foi o Boraceia.



Na edição 56 da revista Piauí, Roberto Pompeu de Toledo, em "Crianças do Crack", mostrou detalhes da vida de alguns jovens e algumas crianças e o impasse sistemático da metodologia do Serviço de Atenção Integral ao Dependente (SAID), hospital psiquiátrico conveniado com a Prefeitura de São Paulo e que importa um pacote de tratamento norte-americano.



Os meninos e meninas magistralmente descritos nessa matéria lá estão, em sua grande maioria graças ao vínculo de confiança conquistado pelos agentes de saúde, médicos e enfermeiros do Projeto Centro Legal e do Programa de Saúde da Família do Centro da Cidade de São Paulo. Porém, uma vez lá internados, nessa e em outras clínicas, eles perdem o contato com seus cuidadores. A metodologia centrada exclusivamente na internação hospitalar não se relaciona com os universos onde as pessoas vivem e por isso os processos terapêuticos ficam truncados.



É preciso repetir incansavelmente: não é possível enfrentar de modo simplificado problemas de tamanha complexidade.



Não é verdade que se você experimenta uma vez uma pedra de crack se tornará um viciado, essa ideia só funciona como alma do negócio.



Não é verdade que a internação seja "a solução" para o tratamento dos drogados, se assim fosse não haveria nas clínicas pessoas com 30, 40 ou 50 internações.



Também não é verdade que os verdadeiros toxicômanos mudem com qualquer metodologia clínica conhecida.



É preciso ter condições sociais, relacionais, biológicas e institucionais para se transformar em um verdadeiro toxicômano.



Mas cocaína e crack são absolutamente funcionais a uma sociedade que funciona por falta. O efeito fundamental dessas drogas é o da fissura, da falta de drogas e é disso que as pessoas se tornam adictos: da falta do produto e do produto que produz quimicamente falta.



E assim como a sociedade capitalista vive da produção de falta, a mídia vive da produção de notícia ruim. Os espectadores e leitores, transformados em voyeurs, consomem horas de TV e páginas de jornais e revistas.



Mas a formação do caráter do cuidador ensina ao mesmo tempo nunca cantar vitória e procurar os pontos e linhas de vida em qualquer experiência. Vemos que nem tudo está perdido. Enquanto termino de redigir estas linhas, leio na Folha de S.Paulo a entrevista de Paulina Duarte, Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, sob o título "Falar que o País vive epidemia de crack é grande bobagem", no qual pode se apreciar serenidade e seriedade.



Mais além de começar a desmontar essas ideias alarmistas e que incitam ao consumo, a mídia poderia se questionar a respeito da eficácia de sua ação e divulgar com maior cuidado os resultados positivos do trabalho de tratamento dos CAPS - Álcool e Drogas, dos consultórios de rua, da equipes de redutores de danos, dos atendimentos de urgência em hospitais e pronto socorros, etc.



O trabalho das equipes de Saúde da Família do Centro da Cidade de São Paulo precisa ser estudado. Elas são a porta de entrada para um mundo quase impenetrável e se pudessem atuar de modo integrado, sem dúvida, teriam maior eficácia. Nunca esquecendo de que o problema das drogas não é de exclusiva competência da saúde.



As manobras e propagandas contra as drogas só promovem exclusão e incitação ao uso. E por outro lado, como afirmou um enfermeiro que atua na região, a cracolândia é o lugar mais democrático da cidade, ali qualquer um é aceito.



Divulgando cada passo positivo, valorizando o trabalho desses cuidadores, a mídia provavelmente não faria bons negócios, mas contribuiria para uma das mais preciosas tarefas da construção da democracia: a de tratar como cidadãos os nossos piores congêneres.





Por Antonio Lancetti



Psicanalista, autor de Clínica Peripatética (Editora Hucitec). Morador do bairro Campos Elíseos, em São Paulo, próximo à cracolândia.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Movimento Antimanicomial

Os serviços substitutivos vêm ocupando os espaços deixados pelo modelo hospitalocêntrico. Modelo este, que propondo-se a tratar e “curar” a doença, a loucura; tornou-se modelo de coação, aprisionamento, anulação, estranhamento e mortificação, de uma pessoa que num determinado instante de sua existência, experiencia o sofrimento psíquico.


Este é um momento da história em que a loucura retira-se de cena da Psiquiatria e torna-se ator principal da cena política. Deixa de ser objeto (loucura-alienação) para tornar-se sujeito (louco) em sua diversidade possível de coexistência.

Essa desapropriação do objeto surge dos questionamentos que embasavam a ciência médica e de seu fazer cotidiano, da doença mental e sua ressignificação, superando limites conceituais, técnicas, práticas e problematizando suas contradições e conflitos. As respostas a estas indagações que vieram do conhecimento, suscitavam uma decisão.

Para que possamos nos situar na problemática apresentada e as soluções tomadas, teremos que nos remeter primeiramente a História, em especial a Idade Clássica, pois é neste instante que a experiência da loucura combina-se com a prática do internamento.

Qual era a visão da loucura no século XVII, que propiciou a exclusão dos loucos e o que a fundamentava? E a Revolução Burguesa na França do Século XVIII e seu ideário civil, de que forma encontra-se com o desatino?

É nesta visão que se chega ao Brasil, com a vinda da família imperial e seu monarca vanguardista, que o primeiro manicômio é construído na corte, com todo luxo e pompa e todas as técnicas de tratamento que a ciência positivista lhe possibilitavam. A figura do alienista revestisse de todo saber empírico e do alienado todo mutismo de um ser que não é um, mas o todo.

Este silenciamento, opressão e contenção do louco permanece em nossa história da Monarquia, passando pela República e tornando insustentável a permanência desse modelo durante a Ditadura Militar Brasileira.

Neste período, em que toda uma nação se cala e as privatizações tornam-se lugar comum, os hospitais psiquiátricos transformam-se em verdadeiras Indústrias da Loucura.

De práticas anteriormente utilizadas na tentativa de humanizar o tratamento dado aos internos dos hospícios como a Psiquiatria Alternativa, ou nos anos de 1960 com inspirações da psiquiatria comunitária norte-americana e a psiquiatria de setor francesa, ainda não respondem a necessidade de melhores condições aos pacientes. São nos movimentos populares, surgidos a partir da contracultura, que novos discursos serão possibilitados.

Mas somente no final dos anos 70, inspirado pelo movimento italiano da Psiquiatria Democrática e no Brasil, com o Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental, a luta antimanicomial, movimentos estes precursores da Reforma Psiquiátrica, que se revelaram a dimensão política e a luta por direitos humanos.

É na desospitalização e na desinstitucionalização, ou seja, com o derrubamento tanto externos quanto internos dos muros dos manicômios, que uma nova prática pode ser realizada e a loucura destituída do poder médico, abri as portas ao louco, agora protagonista de sua própria experiência, em sua subjetividade e em sua liberdade.

E sendo o princípio da história de uma ciência a sua atualidade, há ainda muitos avanços a se realizar, relatar estas questões nos trás novos saberes. Debruçar-se sobre o conceito de loucura e seus desdobramentos sociais, nos provocam, nos inquietam, nos mobilizam.


Uma história que ainda está sendo escrita e que modificou os paradigmas de uma ciência que possuía como objeto de seu saber a loucura e o asilamento como forma de tratamento, e há o objetivo que com este conhecimento possibilite novas formas de olhar para si mesmo e para o outro diante de si, e que este compreender coloca uma imensidão ao nosso alcance.

História que é de todos nós, que encontramos com o outro, e em toda a sua diversidade, e que não procuremos igualdade, porque não há, mas que percebamos a nossa humanidade, não piedosa, mas coletiva, pois para que o rio da vida flua há de haver a outra margem.

terça-feira, 10 de maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Psi Site do CRP SP - Eventos

Psi Site do CRP SP - Eventos
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial faz 24 anos!
Para aqueles que acreditam em um mundo sem grades, onde toda e qualquer diferença é bem-vinda, o 18 de maio significa o enfrentamento do estigma que ronda a pessoa que sofre com o transtorno mental, reafirma seu direito de um tratamento público, integral e de qualidade e a possibilidade de exercer sua cidadania.Vivemos em tempos de privatização. Passados mais de 20 anos da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), torna-se necessário rea firmar os valores e princípios da Reforma Sanitária e da Reforma Psiquiátrica Brasileira, sobretudo os ideais de ampliação da esfera pública e de transformação social que motivaram essa importante conquista da sociedade brasileira.Os princípios da saúde pública brasileira, conquistados por anos de luta de movimentos populares, grupos comunitários, usuários, familiares e seus trabalhadores, permanecem sendo atacados pelos segmentos que se opõem à ideia de um Estado solidário e democrático e à construção de políticas sociais redutoras das desigualdades, universalistas e com controle social.É por isso que em 2011 rea firmamos a defesa do SUS e dos Direitos Humanos, combatendo as estruturas manicomiais que apostam na exclusão social e no isolamento. Por incrível que pareça, ainda permanecem as denúncias constantes de violências e mortes sem apuração em uma fragrante violação de Direitos Humanos.As respostas pautadas na exclusão e no isolamento resistem e conseguiram aprovar a criação de leitos em Comunidades Terapêuticas, opondo-se claramente às deliberações da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial, colocando em risco a implementação de uma rede de atenção para usuários de álcool e outras drogas pautados pelos princípios do SUS, da redução de danos e da Reforma Psiquiátrica.Neste momento, queremos também marcar nosso compromisso histórico com os movimentos sociais antimanicomiais. É hora de avançar na construção de redes intersetoriais que possibilitem a diversidade do cuidado, a crítica, a ética e o respeito. Redes que ampliem a possibilidade de construção de um modelo de desenvolvimento solidário, diverso e com justiça social.A Semana da Luta Antimanicomial de 2011 convida a Economia Solidária, a Juventude, a Cultura e outros segmentos a se juntarem na construção deste outro mundo possível: Em defesa do SUS e pelo fortalecimento das Redes Antimanicomiais! Este projeto conta com os apoios de:Associação Brasileira de Saúde Mental - AbrasmeAssociação Vida em AçãoFórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba - FlamasRede de Saúde Mental e Economia SolidáriaSindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo - SinPsi
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A humanidade convive com a loucura há séculos e, antes de se tornar um tema essencialmente médico, o louco habitou o imaginário popular de diversas formas. De motivo de chacota e escárnio a possuído pelo demônio, até marginalizado por não se enquadrar nos preceitos morais vigentes, o louco é um enigma que ameaça os saberes constituídos sobre o homem.O Orgulho Louco destina-se a recuperar os conceitos de "louco", "maluco", "doente mental", "deficiente mental", “diferente”, “diferenças” e assim por diante a partir do movimento das forças vivas e organizadas da sociaedade e dos meios de comunicação, através de uma série de campanhas para reeducar o público em geral sobre matérias como as causas da "doença mental", as vítimas das instituições totais, o preconceito e a violência. No Brasil, muitos estados já realizam suas paradas, como é o caso da Bahia, desde 2007, Minas Gerais e São Paulo. Este ano é a vez do Rio Grande do Sul. “Não me perguntes onde fica o Alegrete. Segue o rumo do teu próprio coração...”Desde 24 de março temos intensificado os preparativos que envolvem a I Parada Gaúcha do Orgulho Louco. Escolhemos um colegiado coordenador do evento, que desde o início, já se compôs regional. Delegamos, a todas e todos, o papel da divulgação e do contágio para este grande feito. Alcançar o coração de nossos grupos, instituições, comunidades, parceiros, amigos e simpatizantes com nossa luta de superação e transformação dos manicômios físicos e mentais, continua sendo nosso maior desafio. O chamado para a Parada Gaúcha tem sido acolhido e chegou o momento de afirmarmos nosso compromisso com a Reforma Psiquiátrica.
(Judite Ferrari)

terça-feira, 26 de abril de 2011

JUSTIÇA!!! "O Caso Ana Carolina Cordovil Heiderich" (Reforma Psiquiátria) | Rede Humaniza SUS

JUSTIÇA!!! "O Caso Ana Carolina Cordovil Heiderich" (Reforma Psiquiátria) Rede Humaniza SUS

ANA CAROLINA CORDOVIL HEIDERICH SILVA‏Ela só tinha 18 anos,e foi mais uma vida ceifada pelo criminoso sistema psiquiátrico de nosso país. POR ESTA E MUITAS OUTRAS VIDAS, PRECISAMOS UNIR FORÇA EM PROL DE UMA URGENTE URGENTÍSSIMA REFORMA PSIQUIÁTRICA ANTIMANICOMIAL NO BRASIL.
DEPOIMENTO DE NERCINDA (MÃE DE ANA CAROLINA)
Internei minha filha no dia 26/11/2006 por volta das 19h. Na Clínica de Repouso Santa Isabel LTDA em Cachoeiro do Itapemirim/ Es. O meu objetivo era a Clínica Capaac por ser bem menor e possuir, apenas cerca de 35 leitos divididos entre masculinos e femininos. Chegando lá o médico nos informa que não tinha vaga e fez o encaminhamento para a Clínica Santa Isabel. Antes de ser atendida lanchou. Como ela queria biscoito de chocolate e dei de morango, por engano, ficou chateada. Logo o médico chegou e pediu que os enfermeiros a levassem para outra sala enquanto ele conversava comigo. Ela perguntou ao médico se não poderia ficar comigo até à hora da internação, ele alegou que era apenas para ver a pressão. Até eu acreditei. Porém, ela perguntou por que ele mesmo, não olhava sua pressão ao que respondeu que, o seu aparelho estava lá dentro. Foi a última vez que nos vimos.
Falei das suas dificuldades, dos medicamentos que ela tomava (trileptal300ml, rivotril2ml, fluoxetina20ml, metformina e glimepirida para controlar a glicose tipo II e que ela nunca tinha tido problema, pois media sempre 113, 123, 124 e poucas vezes chegavam a 145). Mas nunca havia ficado doente fisicamente.
Pedi que não lhe ministrasse Haloperidol, pois era alégica e já tinha sido socorrida na emergência com a língua inchada, para fora após ter tomado 20g de haldol mais um comprimido de akneton em dois dias somando 40g e dois comprimidos de akneton de 1ml. Para reverter o quadro, a medica plantonista lhe aplicou Decadron e fernegan. Ele anotou, pois me pediu que repetisse os nomes dos medicamentos enquanto escrevia. Esta ficha não consta no prontuário, já que o mesmo me foi negado durante 6 meses. Pedi a exumação após três dias e só consegui após 7 meses e dezesseis dias com muita insistência.
O médico diz que foi infarto do miocárdio , o legista diz , causa indeterminada, já que o coração estava em perfeito estado de conservação. Porém o pulmão esquerdo estava murcho. Além do tempo ainda os materiais só foram enviados para exame de laboratório depois de 40 dias, assim mesmo porque eu liguei para o IML para saber do resultado, eles não sabiam de nada já que estes materiais ainda estavam aqui em Manhuaçú e só saiu depois que eu falei com a delegada. Liguei outra vez para o IML e a perita me disse que foi impossível detectar a causa pelo fato das víceras estarem e formol o que atrapalha, segundo ela, as investigações. Estas partes não podem ser colocadas em nenhum conservante. Tentei contestar o laudo, mas encontrei dificuldades. O advogado do caso não se pronunciou. Infelizmente parece que neste mundo temos que saber de tudo, o que é impossível.
Ao terminar a consulta quis ver minha filha. Ele me disse que não era possível, pois ela estava sedada. Assustei-me e, falei: O Dr. não deu haldol pra ela! Ele me disse que não e que teria lhe dado apenas diazepam com biperideno. Ao sair a atendente me pediu que eu deixasse para vê-la após,pelo menos 05 dias até que o paciente se habituasse no ambiente. Eu ligava cerca de três a quatro vezes por dia e só recebia boas notícias. Ela está bem!Mas não podia falar com opaciente hora nenhuma pelo telefone.
No final de 05 dias, fui visitá-la, mas cheguei depois da visita por causa de atraso do carro que nos levou. Mesmo assim o atendente me deixou vê-la, mas fui convencida sutilmente, por uma enfermeira a deixar a visita para segunda feira, uma vez que era o dia da reunião e ainda era muito cedo, já que agora era que eles estavam conhecendo o seu problema e que a minha visita poderia interromper o tratamento. Deixei uma bolsa com várias peças de roupas, maçãs, e voltei chorando, mas nunca me passou pela mente que ela corria risco de morrer.
Cheguei na segunda feira às 11h. Dirigi-me a assistente Social, me identifiquei ao que me respondeu que esperasse à hora da visita oficial às 13,30h. Quando fui entrar no pátio de visitas, ao mencionar o nome da paciente fui barrada e levada de volta para a sala da assistente Social onde gritei, rolei pelo chão, não sabia mais o que fazer. Minha única filha estava sem vida com apenas 18 anos. 04/12/2006 Quando consegui o prontuário vi que o médico não só prescreveu haldol, como em doses altíssimas [10mlde haloperidol;300ml de amplictil,4ml de biperideno além de Daonil. Só Daonil não era injetável. Cheguei à triste conclusão. Os medicamentos eram injetáveis porque ela não aceitava tomar haldol pois tinha plena consciência do mal que lhe causava. E lá eles são obrigados a tomar os medicamentos que é para manter a ordem. Se quiserem explicações de como lá funciona entrem em contato com Cassiane Cominiti Abreu Graduada em serviço sicial na UFES Cassiane abreu< cassiufes@yahoo.com.br> Integralidade e intersetorialidade em álcool e drogas: a relidade dos municípios capixabas Voltei a clínca no dia 08/12/2006 para mais esclarecimento. O diretor Agostinho Sergio Fava Leite nos disse que ele soube que ela havia caído.já que eu havia constatado um grande hematoma em sua cabeça da orelha para cima no lado direito no dia do seu falecimento e meu sobrinho, no dia do velório, constatou hematomas na parte inferior do braço e na costela do mesmo lado. No dia 08 me acompanhavam: Alcinéia o advogado Dr. Ernesto e o motorista Gilcemar que presenciou uma senhora conversando comigo no pátio a qual me disse que era quem dava banho em minha filha,que lavava suas roupas e que lhe deixara muitas recordações. Fiquei mais uma vez surpresa Ana Carolina era totalmente independente.
No prontuário consta que ela estava em estado de prostração e que nos dia 02e03/12/2006 o clinico geral Dr. Sergio Serafim Costalonga passou a ministrar-lhe 40g de buscopan+40g de elixir paregórico, pois ela estava com diarréia em grande quantidade. Denunciei ao MP por orientação do Médico que lhe acompanhava a cerca de 3 anos mais ou menos, ao CRM e a Comissão de Direitos Humanos do Estado do ES.
A investigações da Polícia Civil, na minha opinião muito deficiente. O primeiro delegado não deu conta do inquérito. O segundo chegou a me dizer que estava confiante que iríamos a júri mais foi transferido. O terceiro já concluiu dizendo que: não encontrou fundamento suficiente para indiciamento dizendo que eu sublimasse a minha dor de outra forma, que tinha mais coisas para fazer e desligou o telefone, já que eu insistia na intimação de mais pessoas para serem ouvidas, uma investigação mais apurada dos fatos e acareação entre o Dr. Clínico Dr. Agostinho Fava Leite, o Médico responsável Dr. Silvio Romero de Sousa França e Maria das Mercês dos Santos a serviçal que mudou todo o seu depoimento, o Dr. Ernesto advogado que conversou em particular com o Dr. e achou que eu não deveria representar contra a clínica.
Suspeitas: Hipoglicemia, overdose medicamentosa, além da alergia ao haldol, tombo, Enfraquecimento, já que ela não se alimentava o que é de se estranhar para uma pessoa que não dispensava uma refeição, se quer. E que tínhamos que ficar de olho já que ela estava acima do peso normal. Mais um motivo para que ele tomasse mais cuidado, embora ela era muito ativa, inteligente, não sentia nem mesmo dor de cabeça, o que era raro.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

:: HOSPÍCIO É DEUS: literatura e insanidade ::

:: HOSPÍCIO É DEUS: literatura e insanidade ::

Pouca gente já ouviu falar de Maura Lopes Cançado. Mesmo entre os leitores assíduos da literatura brasileira, é raro encontrar quem conheça pelo menos um dos dois livros que ela publicou: Hospício é Deus (Diário I) e O sofredor do ver. Passou despercebida pelo público geral, essa escritora que viveu entre a lucidez e a loucura e que encantava os colegas de redação no Jornal do Brasil na década de 60 com histórias divertidas e dramáticas. Em Hospício é Deus, escrito durante uma de suas internações no hospital psiquiátrico Gustavo Riedel, no Rio de Janeiro, aos 29 anos, ela diz: “Sou um anjo com vocação para demônio”. A frase lapida a essência de Maura, não só pelo que tem de demoníaca, mas também pelo que possui de luz e amplidão. Conforme o subtítulo, o livro foi escrito como se fosse um diário. Nas 20 primeiras páginas, Maura faz um apanhado autobiográfico, da infância até sua ida para o Rio de Janeiro, aos 22 anos. Depois as anotações são marcadas por datas que vão de 25 de outubro de 1959 a 7 de março de 1960.Ao falar de seu tempo de infância, escreve: “Não creio ter sido uma criança normal, embora não despertasse suspeitas. Encaravam-me como a uma menina caprichosa, mas a verdade é que já era candidata aos hospícios aonde vim parar”. Em suas próprias palavras, a primeira entrada numa casa de loucos foi aos 18 anos, ainda em Minas Gerais, Estado onde nascera em 1930. Nessa mesma época, também tentou o suicídio pela primeira vez, e desde então, até a casa dos 30, sempre freqüentou sanatórios.Ela define o hospício como “uma cidade triste de uniformes azuis e jalecos brancos”. Num momento de rara sensibilidade e capacidade de olhar ao mesmo tempo ao redor e para dentro de sua própria condição, ela escreve: “O que me assombra na loucura é a distância – os loucos parecem eternos”, e diz mais: “Hospício são flores frias que se colam em nossas cabeças perdidas em escadarias de mármore antigo, subitamente futuro. (...) Hospício é não se sabe o quê, porque Hospício é Deus.” Hospício é Deus é mais que um diário. O que há de literário nele é pulsante, vivo e muito atual. Hábil na arte de narrar, Maura costura suas conjeturas, conspirações e maluquices no interior do sanatório junto a histórias que evocam lembranças recentes. “Não é, absolutamente, um diário íntimo”, dizia ela, “mas tão apenas o diário de uma hospiciada, sem sentir-se com direito a escrever as enormidades que pensa, suas belezas, suas verdades. Seria verdadeiramente escandaloso meu diário íntimo.”O tom megalomaníaco em que ela se expressa revela sua loucura, mas também deixa florescer a forte presença de espírito, e é isso que nos faz crer em tudo que está ali. A literatura, antes de mais nada, precisa convencer o leitor. Segundo Assis Brasil, “é bastante curioso, do ponto de vista crítico, saber que um escritor do porte de Maura Lopes Cançado tem um acervo existencial raramente encontrável em escritor brasileiro, sempre apegado a draminhas domésticos ou ligeiras crises passionais. Se seus diários tivessem sido publicados num outro país, teria elevado o nome de Maura Lopes Cançado ao plano literário internacional.”Seu ‘acervo existencial’ é mesmo raro, e sua capacidade de criar vai além da loucura comum, fazendo observações agudas de si mesma e de seu mundo conturbado. “Existo desmesuradamente, como janela aberta para o sol. Existo com agressividade.” Eis mais uma frase lapidar de Maura, entre muitas que nos encantam, como este outro feixe esclarecedor: “Que emoções escandalosas tenho dentro de mim: é que às vezes tudo ameaça precipitar-se, minto para mim mesma, não sei para onde dirigir estas emoções. Minha consciência da inutilidade de tudo mata-me. Esta incapacidade de sofrer torna-me árida, vazia – (...) invento-me a cada instante.”

terça-feira, 19 de abril de 2011

VI Prêmio Arthur Bispo do Rosário

VI Prêmio Arthur Bispo do Rosário

A arte como estímulo à capacidade criadora do ser humanoO prêmio Arthur Bispo do Rosário chega em 2011 a sua sexta edição. O certame homenageia o sergipano que viveu cinco décadas como interno, diagnosticado como esquizofrênico, na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. No início dos anos 60, Bispo do Rosário trabalhou como um “faz tudo” em uma clínica pediátrica, morando isolado no sótão, e desenvolveu grande parte de sua produção artística. Em 1969, voltou para a Colônia, onde ficou até sua morte, em 1989. Sua história mostra que, mesmo em condições adversas, ele pôde provar com sua arte a capacidade criadora do ser humano. Este também é o objetivo do concurso, aberto a todos que, direta ou indiretamente utilizaram serviços de Saúde Mental. Considera-se usuário de Saúde Mental quem vive ou já viveu situações de sofrimento muito intenso, o que causou desorganização de sua vida ou de suas relações. É quem utiliza ou já utilizou um serviço de Saúde Mental em seu bairro, em sua comunidade, como, por exemplo, os CAPS, os CAPSad, os Centros de Convivência, os atendimentos psicológicos ou psiquiátricos das UBS, os Serviços Residenciais Terapêuticos ou o Programa de Volta para Casa. Nesta definição, não se incluem apenas os usuários diretos dos serviços, mas também seus parentes, amigos ou pessoas próximas. Nesta definição, não se incluem apenas os usuários diretos dos serviços, mas também seus familiares.
O Prêmio prevê seis categorias artísticas:1- Esculturas/instalações; 2- Pinturas e ilustrações; 3- Fotografias; 4- Poesias; 5- Contos e crônicas; 6- Vídeos.
Serão premiados os três primeiros colocados em cada categoria (com dedução de impostos): R$ 2 mil para o 1º lugar; R$ 1,5 mil para o 2º lugar; e R$ 1 mil para o terceiro colocado. Os demais, até o 10º lugar, receberão certificados de Menção Honrosa. Para estimular a participação dos usuários, o CRP SP oferece orientações sobre técnicas artísticas por meio de oficinas, organizadas pela Sede e pelas Subsedes localizadas no Interior. Navegue pelo site para saber como participar, os prazos para inscrição de trabalho e o evento de entrega dos prêmios, entre outras informações. Informações:E-mail: eventos02@crpsp.org.br ou pelo telefone: (11) 3061-9494 ramais 111, 151, 137 e 317.

domingo, 17 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

HOMENAGEM A CARRANO POR ALEXANDRE BELLAGAMBA

23ª MEDALHA CHICO MENDES DE RESISTÊNCIA 01/04/2011 - LOCAL: OAB/RJ PRÊMIO EM HOMENAGEM AO CARRANO TEXTO DA FALA DE ALEXANDRE BELLAGAMBA ( RECEPTOR DO PRÊMIO DESTINADO AO CARRANO ) "NÃO QUERO FALAR AQUI SOBRE AS COISAS RUINS QUE CARRANO PASSOU, OS MAUS TRATOS, PERSEGUIÇÕES, TORTURAS, ETC, POIS ISSO JÁ ESTÁ EM UM LIVRO DE SUA AUTORIA E NO FILME BICHO DE SETE CABEÇAS. COMEÇAREI RELATANDO UM PEQUENO TRECHO DE UMA MÚSICA AO QUAL EU COMPUS EM SUA HOMENAGEM, QUANDO AINDA ESTAVA VIVO: "É SOCIAL...A SOCIEDADE REALIDADE SURREAL! A MINHA VOZ É CASTRADA... A MINHA BOCA DECAPTADA, NO CORAÇÃO QUE BATE EM MEU PEITO, EXIJO DIGNIDADE E RESPEITO!" EM NOME DE AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO E DE TODOS OS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL DO PAÍS, ME SINTO LISONGEADO DE REPRESENTAR AQUI UM ÍCONE, UMA DAS MAIORES, SENÃO A MAIOR LIDERANÇA DE USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL QUE EXISTIU NESSE PAÍS. NÃO SEI SE SOU DIGNO DE REPRESENTAR UMA PESSOA QUE SOFREU ALÉM DE TANTOS MAUS TRATOS, MANICOMIALIZAÇÕES, INJUSTIÇAS, PERSEGUIÇÕES E DESRESPEITOS POR TANTOS E TANTOS ANOS... EU SÓ SEI QUE A SUA LUTA ÁRDUA, PERSEVERANTE, INCOMENSURÁVEL E PERSISTENTE CONTRA UM SISTEMA MANICOMIAL, JAMAIS FOI EM VÃO. SE HOJE A SAÚDE MENTAL TEM COMO PRIORIDADE A DECAPTAÇÃO DO ESTIGMA, DO PRECONCEITO, DA DISCRIMINAÇÃO, DA INDIGNAÇÃO E PRINCIPALMENTE, DA EXTINÇÃO DE UMA MANICOMIALIZAÇÃO SOCIAL, NÓS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL SEREMOS ETERNAMENTE GRATOS POR UM INDIVÍDUO QUE LEVANTOU A BANDEIRA DO MOVIMENTO NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL COMO FORMA DE TENTAR MUDAR O MUNDO, CONTAGIANDO AQUELES QUE NÃO TINHAM UMA VOZ ATIVA PARA SE DEFENDEREM DOS MAUS TRATOS SOFRIDOS. CARRANO ME ENSINOU QUE JAMAIS DEVEMOS FICAR CALADOS, POIS A MAIOR FORÇA QUE EXISTE ENTRE OS OPRIMIDOS É EXATAMENTE O GRITO ADORMECIDO POR DÉCADAS E SÉCULOS DERIVADOS DE UMA TIRANIA MANICOMIAL EXISTENTE DESDE A ÉPOCA DA GRÉCIA ANTIGA. EM NOME DE CARRANO, DO MOVIMENTO NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL E TAMBÉM EM NOME DE NOSSA AMIZADE E PARCERIAS QUE OBTIVEMOS EM VÁRIOS CONGRESSOS, CONFERÊNCIAS, SEMINÁRIOS, ETC., DEVO AGRADECER A TODOS ESSA HOMENAGEM E DIZER A TODOS VOCÊS QUE GRAÇAS AO CARRANO, Á REFORMA PSIQUIÁTRICA E AO MOVIMENTO ANTIMANICOMIAL, NÓS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL AO QUAL AQUI EU REPRESENTO, A SAÚDE MENTAL HOJE EM DIA, ESTÁ DEIXANDO DE SER UM BICHO DE SETE CABEÇAS... AINDA TEMOS UMA LONGA ESTRADA A PERCORRER, MAS A LUTA JAMAIS ACABA, POIS O MANICÔMIO NÃO É APENAS UMA ESTRUTURA FÍSICA COM MUROS E GRADES... MANICÔMIO É UMA FILOSOFIA. MANICÔMIO É TODA E QUALQUER FORMA DE PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO SOCIAL, TIRANIA, PATERNALISMO EXCESSIVO, MAUS TRATOS E EXLUSÃO SOCIAL AO QUAL UM INDIVÍDUO SE SUBMETE. E PARA FINALIZAR, CITAREI UMA FRASE DE OUTRO ÍCONE DO PASSADO, AO QUAL O PRÓPRIO CARRANDO VIVIA DIZENDO QUE EU ERA A SUA ENCARNAÇÃO VIVA ( EU SEI QUE NÃO CHEGO NEM AOS PÉS DESSE MITO, MAS SE ELE ACHAVA ISSO, ERA A OPINIÃO DELE E EU RESPEITAVA ): “ATÉ QUANDO DEVO REFUGIAR-ME NO NÃO SER PARA TER O DIREITO DE SER O QUE SOU?” - ANTONIN ARTAUD COMPANHEIROS, VAMOS CONTINUAR LUTANDO POR UMA SOCIEDADE SEM MANICÔMIOS, SEM VIOLÊNCIA E SEM EXCLUSÃO SOCIAL! EM NOME DE AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO, AGRADEÇO A TODOS! OBRIGADO!" ALEXANDRE BELLAGAMBA MOVIMENTO NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL- MNLA MOVIMENTO NACIONAL DE USUÁRIOS DA LUTA ANTIMANICOMIAL - MONULA CONSELHEIRO DA APACOJUM FILIADO Á ABRASME MEMBRO DA CERP/CES-SESDEC/RJ USUÁRIO DO CAPS DE CABO FRIO/RJ

EXTENSÃO EM SAÚDE MENTAL CLÍNICA DA URGÊNCIA

Clínica da Urgência em Saúde Mental Coordenadores: Felipe Brognoli e Fabiano Miguel Valerio Objetivo Geral: fornecer subsídios teórico-técnicos aos participantes para atuação em situações de urgência em saúde mental a partir das proposições da Reforma Psiquiátrica brasileira Programa: ü Fundamentos da Clínica da Urgência em Saúde Mental ü Psicofarmacologia, Técnicas e Procedimentos na Clinica da Urgência ü Clinica da Urgência e Estruturas Clínicas ü Clinica da Urgência e Níveis de Atenção à Saúde Público Alvo: Estudantes e Profissionais da Área da Saúde Vagas: 40 Carga Horária: 16 horas Data de Realização: 16 e 30 de abril de 2011 Local do Evento: CESUSC

DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL

O Movimento Nacional da Luta Antimanicomial surgiu no final da década de 1980 e esse ano completa seus 30 anos. Construido à partir de uma articulação entre profissionais de saúde, estudantes, usuários dos serviços de saúde mental, familiares e movimentos sociais, o MNLA, que surgiu em Bauru-SP, vem se consolidando a cada ano e expandindo sua atuação por todo o país. Nesses árduas anos de luta, alguns avanços foram feitos, como por exemplo a Lei Paulo Delgado (2001) que define os parâmetros da Reforma Psiquiatrica, bem como a constituição da Rede Internúcleos, que organiza o movimento nas diveras localidades do país, considerando as diferenças regionais e as demandas emergencias, nunca perdendo de vista a sua palavra de ordem "Por uma Sociedade Sem Manicômios". O MNLA reinvindica, além da efetivação da Reforma Psiquiátrica, a construção de um modelo de saúde Mental substitutivo, em detrimento das práticas manicomias. Uma rede composta por Centros de Atenção Psicosocial (CAPS), leitos psiquiátricos em hospitais gerais, prontos socorro psiquiátricos, e que acima de tudo, preze pela integração da equipe multidisciplinar e a humanização dos serviços de saúde mental. Preza-se também pela acessibilidade do serviço a todos que dele necessitam, pela participação da família no processo dos cuidados, da intervenção direta na comunidade e especialmente pela resignificação da loucura. O Dia Nacional da Luta Antimanicomial é repleto de debates e mobilizações. Somando às mobilizações que vem acontecendo em torno do processo de realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, conquistada a partir da Marcha dos Usuários à Brasília. Contamos mais uma vez com a participação de todos e todas para a celebração de mais um 18 de maio repleto de beleza, alegria e criatividade. Acompanhe as comemorações do Dia Nacional da Luta Antimanicomial na Cinelândia - Rio de Janeiro/RJ CLICANDO AQUI. 15:00 - Esquenta: Grupo Pirei na Cenna -30´- Coletivo Carnavalesco Tá Pirando Pirado Pirou - 30´- Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana - 30´- Abertura: Zé Tonhão (ator Rafael Carvalho)16:30 - Chama: Cancioneiros do IPUB - 30´16:45 - Chama: Chacal – 15’17:00 - Chama: Harmonia Enlouquece - 30´17:30 - Chacal – 15’17:45 - Exibição TV Pinel - 20’18:05 - Chicas 30’ Deixe nos comentários os locais de comemorações, palestras e protestos na sua cidade. Extraído do blog: http://saudementalecidadania.blogspot.com

Programa "Assembléia Entrevista" sobre a situação da Saúde mental em Sor...

OFICINA DE CINEMA

Recentemente, a Rede de Saúde Mental e ECOSOL realizou uma Roda de Conversa com os trabalhadores da saúde mental de Taboão da Serra, onde discutimos a inclusão social pelo trabalho, através do Filme Si Puo Fare (Dá para Fazer). Na V Feira de Saúde Mental e ECOSOL, dia 21 de Maio, já teremos a participação da cidade de Taboão da Serra. Conheçam e Divulguem!! - Blog da Oficina Experimental de Cinema Digital do Centro de Convivência e Cultura de Taboão da Serra – SP 

terça-feira, 22 de março de 2011

Filme: Si Puo Fare (Dá para Fazer) e Roda de Conversa em Taboão da Serra
Posted: 16 Mar 2011 10:14 AM PDT
O GT de Saúde Mental de Taboão da Serra, através de sua Coordenadora Fernanda Zanetti Cinalli organizou a exposição do Filme Si Puo Fare e uma Roda de Conversa visando discutir o filme e os desafios para a inserção social pelo trabalho de usuários de saúde mental.
Em uma sessão perto de você!!!
Dia 29/03/2011
No GT de Saúde Mental – Taboão da Serra
Venha rir e se emocionar conosco!!

Nello, um sindicalista afastado do sindicato por suas ideias avançadas, se vê dirigindo uma cooperativa de doentes mentais, ex-pacientes dos manicômios fechados pela Lei Basaglia. Acreditando firmemente na dignidade do trabalho, ele convence os sócios a substituir as esmolas assistencialistas por um trabalho de verdade, inventando para cada um, uma atividade incrivelmente adaptada às respectivas capacidades, mas indo também ao encontro às inevitáveis e humanas contradições. Um tema importante, tratado com humor e delicadeza, divertido e comovente, que pode parecer uma bonita fábula, mas que na verdade retrata uma realidade atual. Mais uma pérola do cinema italiano! Direção: Giulio Manfredonia / Roteiro: Fabio Bonifacci, Giulio Manfredonia / Estrelando: Claudio Bisio, Anita Caprioli e Giuseppe Battiston / 111 min / 31 October 2008 (Italy)
Após o filme: Roda de Conversa e discussão com Leonardo Pinho. Educador popular, do Fórum Paulista de Economia Solidária, assessor em economia solidária da Rede de Saúde Mental e Economia Solidária do Estado de São Paulo, membro da Associação Vida em Ação.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pétalas nas Esquinas

Esqueci-me de ser menina
Esqueci-me de ser Maria
Esqueci-me a boneca
Uma lágrima inverteu e
Secou meu pranto e
Secou minha flor
Esqueci-me as rodas de ciranda
Esqueci-me as cantigas de ninar
Esqueci-me de subir nas árvores
Esqueci-me de ver o céu e
De um olhar ao longe
Se fez tão perto e
Apagou a luz
Esqueci-me das estrelas cadentes
Esqueci-me de brincar
Esqueci-me dos cadernos
Esqueci-me da poesia
Pois nas noites frias
Não desabrocham as flores
Esqueci-me do querer
Esqueci-me de sonhar
Porque na aspereza das esquinas
Não se fazem jardins e
minha flor despetalou
levada no caminho dos ventos
Esqueci-me daquela menina
Esqueci-me dos perfumes das flores
Esqueci-me de minha boneca
Esqueci-me do que sou
(Ana Lúcia da Silva)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Contenção da Infância

O conceito de infância na pós modernidade foi modificado. Ser criança compreende, atualmente, um indivíduo letárgico de movimentos concisos, diante de uma televisão, de um videogame ou de uma tela de computador, chegando a "aborrecência" sem se fazer notar.
Ser bom filho é estar ajustado,ter boas notas,organização, pouca atividade motora (exceto nas aulas específicas: judô, natação, aulas de futebol e ballet,etc) e linguagem monossilábica - Quero - um computador novo, celular,Ipad e toda a parafernália do silenciar.
Mas há um grupo de crianças que não pára,levantam-se da cadeira na escola, não prestam atenção,não acompanham as atividades propostas, suas notas e desempenho escolar é sofrível e seu comportamento não se encaixa ao meio escolar e familiar. Elas são encaminhadas aos especialistas que deve dar conta dessa infância inquieta.
Este comportamento fora da norma é o seu desejo "inusitado" de ralar os joelhos, derrubar a tinta na roupa, correr sentindo o vento no rosto, brigar com o coleguinha na rua,rir e falar a valer, juntar insetos numa caixa de papelão, fazer o que lhe dá na telha,encher os pais de perguntas e reinvindicar sua atenção.
A escola para eles,é algo entre chato e insuportável, mas gostam das aulas de educação física, de artes, dos companheiros de classe e do lanche.O restante não lhes diz respeito, porque não é da ordem destas crianças aprender sem experimentar.
Mas estes comportamentos tornaram-se uma patologia, com direito a nosografia e medicação, são os TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).
No final de 2010, no "I Seminário Internacional a Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e Outros Supostos Transtornos", realizado em São Paulo, os palestrantes foram taxativos: Há um aumento alarmante de diagnósticos e medicalização da infância, algo entre 10 a 20%, tomando uma proporção epidêmica de incapacidades jamais comprovadas.
A fala mais contundente foi da Professora Titular de Pediatria da Unicamp Maria Aparecida Moysés, que discorreu sobre os efeitos do metilfenidato, uma substância que afeta todos os sistemas do organismo. "Em qualquer livro de farmacologia, o que se divulga como efeitos terapêuticos dessa substância é caracterizado como um sinal de toxicidade." Segundo ela, a obediência obtida com o medicamento é o que, na farmacologia, é conhecida como "efeito zumbi", o que demanda a suspensão da substância.*
Ser-infância tornou-se um transtorno e nossas crianças estão contidas em camisas de força medicamentosas, emprestando seus corpos semi-mortos aos apelos de uma sociedade de normas técnicas e eficácia.
Ana Lúcia da Silva
*Dados do Jornal Psi- Conselho Regional de Psicologia SP